Essa semana eu estava no consultório médico e li uma matéria
muito interessante na revista viva saúde, achei importante registrar aqui o que
eu vi e li.
Matéria:
PRISCILA RODRIGUES e FOTOS FERNANDO GARDINALI
Entre as crendices populares brasileiras, uma das mais famosas diz respeito
ao aspecto das unhas. Há quem acredite que as manchinhas, que surgem de uma
hora para outra, significam a chegada de boas-novas. Em certas regiões do país,
o povo garante que elas aparecem na mesma proporção das mentiras que contamos.
Coincidências e lendas à parte, o fato é que essas marquinhas querem nos avisar
de algo muito mais importante: que precisamos ouvir rapidamente a opinião de um
dermatologista, para ver o que há de errado em nosso organismo.
Não é à toa que muitos médicos pedem para ver as mãos dos pacientes durante
o exame clínico. “Qualquer alteração patológica nas unhas deve ser observada
com rigor, pois sinalizam desde falta de nutrientes, estresse e micoses até
problemas mais sérios, como cirrose hepática, insuficiência renal e endocardite
(a inflamação do revestimento interior do coração, geralmente provocada por
bactérias)”, garante o dermatologista Guilherme de Almeida, de São Paulo. Sua
colega de profissão, a médica paulistana Aurea Lopes, concorda e aponta como
outras causas males como dermatite de contato, lupus eritematoso (doença
crônica que causa inflamações em várias partes do corpo) e até mesmo problemas
circulatórios periféricos, cardiológicos e intestinais.
O QUE AS MÃOS REVELAM SOBRE A SAÚDE
Fique atento às mudanças na coloração, forma e textura das suas unhas:
Manchas esbranquiçadas:
Anemia, carência de zinco e proteínas, dermatites de contato
(alergias a esmaltes, sabões, detergentes...), psoríase, micoses,
intoxicação por metais pesados, insuficiência renal.
Manchas amarelas ou unhas amareladas:
Freqüentes em fumantes, também indicam uso crônico de
antibióticos, ingestão em excesso de betacaroteno (precursor da vitamina
A, encontrado em cenoura, beterraba, mamão...), diabetes, micoses e
males do fígado.
Arroxeadas:
Micoses, tumores, uso de remédios coagulantes, males cardíacos, lupus eritematoso.
Esverdeadas ou com inchaços, vermelhidão e dor que se expande ao redor dos dedos:
Infecções bacterianas e micoses
Metade branca, metade avermelhada:
Problemas renais
Faixas negras:
Disfunções hormonais, micoses, tumores na matriz ungueal, câncer de pele (melanoma)
Fracas, secas, quebradiças, com tendência à descamação:
Falta de cálcio, além de zinco e vitaminas A, B e E, nutrientes que constituem a unha. Anemia, hipotireoidismo.
Amarelada, espessa e sem crescimento:
Distúrbios pulmonares.
Ondulações, que, no caso das mulheres, ficam aparentes mesmo com duas camadas de esmalte:
Geralmente indicam traumas (a espátula de empurrar cutícula é
usada com força). E ainda: anemia e doença cardíaca ou pulmonar
ESTIMA-SE QUE, POR ANSIEDADE E NERVOSISMO, 1/3 DA POPULAÇÃO TENHA O MAU HÁBITO DE ROER AS UNHAS
O QUE VOCÊ DEVE E NÃO DEVE FAZER
Levar o próprio kit de manicure ao salão de beleza.
SIM, principalmente para evitar micoses. “O fungo
pode passar de uma unha para outra por meio da lixa ou de material não
esterilizado”, afirma a dermatologista Juliana Neiva.
Recorrer a esmaltes e produtos especiais para fortalecer as unhas.
DEPENDE. Se o problema for passageiro, fruto de uso de
medicamentos ou de baixa resistência, há possibilidade de melhora. Mas é
importante identificar no rótulo a presença de formol e baixa
concentração de vitamina E. Outra medida válida é manter as unhas
hidratadas com cremes à base de uréia e lactato de amônia. No entanto,
se o enfraquecimento estiver relacionado a problemas de saúde ou se a
pessoa viver em dietas muito restritivas, só um médico tem condições de
recomendar o tratamento correto.
Usar luvas para lavar louça e prevenir alergias nas mãos.
SIM. Os detergentes costumam conter substâncias nocivas para a
cutícula de pessoas predispostas a dermatites de contato. As luvas são
uma boa forma de proteção.
Preservar sempre a cutícula.
EXATO. Segundo o dermatologista Guilherme de Almeida, ela
serve para proteger a matriz da unha e impedir o surgimento de infecções
ou micoses. As cutículas devem ser empurradas e nunca cortadas com
tesoura ou alicate. Removedores especiais são uma alternativa.
Passar esmalte vermelho para fortalecer a unha.
PURO MITO. Acredita-se que, ao pintar as unhas com essa cor, as mulheres ficam mais cuidadosas e o esmalte dura mais. Daí a lenda.
Lixar a unha no formato quadrado.
SEM DÚVIDA, porque aparar os cantos favorece infecções e
facilita o encravamento. As unhas crescem 0,1 milímetros por dia, em
média, e devem ser lixadas uma vez por semana. A dermatologista Marcelle
Miranda sugere adotar as lixas simples, de algodão, no lugar das
metálicas, que estragam as pontas. Outro toque: “Evite lixar a parte de
cima da unha. Isso destrói a queratina”, orienta a médica.
Evitar o uso constante de esmalte.
ISSO MESMO. A dermatologista Marcelle Miranda, do Rio de
Janeiro, recomenda deixar as unhas “respirarem” de vez em quando. “Uma
dica é retirar o esmalte um dia antes de fazêlas”, conta. Para evitar
alergias indesejáveis, que comprometem a saúde da cutícula, é bom fugir
de esmaltes e produtos à base de tolueno e formaldeído.
Usar modelos postiços para evitar roer as unhas.
BOA IDÉIA, apenas se os cuidados com a higiene forem
redobrados. “Por causa da umidade, há maior propensão à proliferação de
fungos. Portanto, a manutenção e a secagem adequadas são cuidados
essenciais”, sentencia Marcelle Miranda. O melhor seria parar de roer as
unhas. O mau hábito favorece o transporte de microrganismos da unha até
a boca. Também pode desgastar o esmalte dos dentes e facilitar o
aparecimento de cáries. Até habilidades como escrever, digitar, tocar
instrumentos e dirigir são reduzidas quando o roedor compulsivo promove
danos às unhas e à pele ao redor.